“Melancolia”: a tão somente estética de Lars Von Trier

Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg interpretam Justine e Claire em Melancolia

Postado por: Marina Berlowitz

A câmera instável, as imagens em câmera lenta, o som de “Tristão e Isolda”, de Wagner — é tudo muito lindo. Esteticamente, o novo filme de Lars Von Trier, Melancolia, é impecável. Mas a julgar pelo conteúdo, e o que se espera de Lars Von Trier (o polêmico), o filme deixou a desejar: não basta que um diretor faça um filme bom, ele precisa também fazer jus ao seu repertório e corresponder (ou superar) às expectativas do espectador. A temática da morte e do fim inevitável é o eixo principal do filme, que é dividido em duas partes: a primeira foca-se em Justine (interpretada por Kirsten Dunst) e sua festa de casamento; a segunda parte dá-se em torno de Claire (interpretada por Charlotte Gainsbourg), irmã de Justine, enquanto aguardam o choque entre a Terra e o planeta Melancolia (o apocalipse).

 

O filme marca a fase madura de Lars Von Trier — em uma tentativa de fazer um filme romântico (ou melhor: pertencente ao romantismo), o diretor suavizou seu estilo. A julgar por seus filmes anteriores, como Dogville, Anticristo ou Dançando no Escuro, o espectador espera de Lars Von Trier um filme radical, polêmico, incisivo. Em Melancolia, no entanto, com uma velocidade lenta, Von Trier quis levar o espectador à psique das personagens, arrastando-o para o mundo interior de Justine e Claire. O filme decepcionou o próprio diretor: disse que, em querendo mergulhar fundo no romantismo alemão, acabou abusando do romantismo como se faz nos filmes comerciais, no mainstream.

Existem, porém, elementos interessantes na construção das personagens: Gaby, a mãe de Justine e Claire, (interpretada por Charlotte Rampling), pode ser vista como o porta-voz secreto de Lars Von Trier. Ela representa o niilismo, o desencanto, o existencialismo — incentiva sua filha Justine a desistir do casamento. O papel do noivo, interpretado por Alexander Skarsgård, representa a impotência diante do ceticismo e a depressão da mulher. Há também John (Kiefer Sutherland), o marido de Claire, o cientista que assegura a todos que não haverá choque entre os planetas: ele é o controle das massas, o positivismo. Mata-se no final, porque é covarde.

O filme é, em suma, uma obra prima apenas estética. É uma forma de consolo de Lars Von Trier, um retrato de seu auto-ódio. É um filme extremamente sensível e profundo em sua própria depressão, mas um fracasso na tentativa de um filme romântico — não saiu do trivial. Segundo o próprio Von Trier, “um filme de mulher”.

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Publicado em 31 de agosto de 2011, em Cinema e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. “Mata-se no final, porque é covarde.” – Como assim??? Pô, Marina, que spoiler! haha

  2. Resenhas implicam spoilers! Não era minha intenção dar uma pequena sinopse e depois classificar o filme em estrelas.

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