Qual o futuro da Líbia?

Ilustração do cartunista Carlos Latuff (@Carloslatuff)

Postado por: Mariana Mundim

 O governo de Muamar Kadafi, atual presidente da Líbia, está por um triz. Trípoli, capital e sede do quartel-general do ditador foi completamente tomada na semana passada pela oposição, que já organiza um novo governo e agora avança em direção a Sirte, um dos últimos lugares que ainda apresentam resistência pró-Kadafi. O então presidente está desaparecido, seu paradeiro ainda é desconhecido. Porém, ele jurou que lutará até a morte para defender seu regime e conta com a força de suas leais tropas para tentar resistir aos oposicionistas.

 A oposição não é apenas os rebeldes que querem acabar com o regime ditatorial de Kadafi. O que muitos não sabem é que eles estão sendo apoiados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que têm bombardeado a infra-estrutura militar do governo da Líbia, dando apoio aos rebeldes que lançaram, há seis meses, uma ofensiva para retirar o ditador Muamar Kadafi do poder. Um Conselho Nacional de Transição (CNT) foi composto e imediatamente legitimado pelos dois países que comandam as forças da OTAN na Líbia: França e Inglaterra. Outro país que se juntou para deter as forças do poder líbio foi os EUA, que com base nas decisões da ONU se juntaram à CNT. Claro que a justificativa politicamente correta é de que a Otan resolveu intervir militarmente para proteger a população contra os ataques das tropas de Kadafi e com isso evitar uma guerra civil.

 Curiosamente, ambos os países que comandam as forças da OTAN na Líbia e os EUA têm negócios em petróleo e outras riquezas minerais, e devem presidir as obras de reconstrução do país. O que seria uma fonte de imensos lucros que podem amenizar a situação econômica dos ingleses, franceses e principalmente dos americanos, que sofrem com a atual crise econômica mundial. Ou seja, a oposição ao governo Kadafi não é apenas os libianos que se rebelaram contra o poder despótico de Kadafi, que já dura mais de 42 anos, mas também a França, Inglaterra e EUA que estão de olho no petróleo africano, com a desculpa de estarem apenas trabalhando em nome da ONU para pacificar o território da Líbia.

 Nas ruas em geral o clima é de euforia, orgulho e otimismo para a criação do novo Estado, que é o que os rebeldes planejam. Porém, a Líbia é historicamente marcada pela divisão entre grupos tribais, cerca de 140 tribos. Embora eles tenham se unido contra o ditador, isso não significa que continuarão do mesmo lado futuramente. Portanto, eles dizem que se manterão unidos para não brigar. Mas é evidente que na hora de decidir quem é que vai mandar, como o poder será divido, etc.; a história será diferente.

 Por outro lado, há os leões em pele de cordeiro: EUA, França e Inglaterra, que são os aliados dos rebeldes, que evidentemente têm interesses ecônomicos por trás dessa ajuda humanitária e armada. Mas e quando for decretado o final da “guerra”, todos os rebeldes simplesmente entregarão suas armas às forças da ONU e ao Conselho Nacional de Transição? Com certeza os americanos, franceses e ingleses vão querer uma fatia do bolo em troca da ajuda de que lhes foi dada.

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Publicado em 31 de agosto de 2011, em Internacional e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Valter Barbosa Mundim

    O artigo postado por Mariana Mundim, sintetizou a história do governo de Muamar Kadafi, disse de seu período de mais de 42 anos de poder, aliás, um poder tirânico, como ela disse, e também deu notícia do que está acontencendo na Líbia, inclusive dizendo dos leões em pele de cordeiro, pois, o faro de petróleo, de longe é sentido.
    Parabéns ! Você será uma grande jornalista,ainda mais que você é uma pessoa íntegra e ética.
    Valter

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