Festival de Veneza começa a definir seus favoritos

Banner oficial da 68ª Bienal de Veneza (Foto: Divulgação).

Postado por: Jacqueline Elise

Em 30 de agosto, começou um dos eventos mais importantes para o mundo cinematográfico: o 68º Festival Internacional de Cinema de Veneza, que ocorre anualmente desde 1932 na cidade italiana. Assim como o Festival de Cannes e o Festival de Toronto, Veneza sempre oferece uma safra de filmes que muitas vezes são cruciais para definir o cenário da sétima arte a cada ano. Em 2011, Cannes revelou películas muito elogiadas como Melancolia de Lars Von Trier (leia a crítica feita pelo Eh Tipo Internet aqui) e o vencedor da Palma de Ouro, A Árvore da Vida de Terrence Malick. No dia 10 de setembro, os ganhadores do Leão de Ouro serão decididos e alguns jornalistas já demonstraram suas preferências diante dos trabalhos apresentados, portanto o blog fará uma pequena lista dos filmes que estão concorrendo e que já foram muito bem falados nas coletivas de imprensa do Festival. Confiram e comentem seus favoritos:

Apostas do Festival de Veneza:

1) Tudo pelo Poder (The Ides of March), dirigido por George Clooney

O filme, que abriu o evento, mostra a vida um assessor de imprensa de um candidato a presidência. Ao longo da narrativa, o assessor vê seus ideais se despedaçarem ao descobrir a podridão que envolve a campanha política e a estratégia dos candidatos para vencerem. O elenco conta com grandes nomes como Paul Giamatti, Ryan Gosling, o diretor George Clooney e Philip Seymour Hoffman, e foi logo estabelecido como um dos favoritos ao prêmio máximo do Festival. Embora tenha sido elogiado pelos jornalistas, Tudo pelo Poder precisa enfrentar ainda títulos fortes que surgiram ao longo da semana e também arrancaram elogios em suas respectivas exibições.

2) O Espião que Sabia Demais (Tinker, Tailor, Soldier, Spy), dirigido por Tomas Alfredson

É inegável que Tomas Alfredson (Deixa Ela Entrar) mergulhou em uma difícil missão ao fazer este filme: adaptar a trama complexa do livro de John Le Carré para os cinemas. O Espião que Sabia Demais se passa nos anos 70, em plena Guerra Fria, para relatar trajetória de George Smiley (Gary Oldman) ao tentar descobrir quem está trabalhando como agente duplo para a União Soviética dentro do Serviço Secreto Inglês. O filme também foi muito aplaudido e se destaca pelo seu elenco repleto de atores talentosos, como Colin Firth (sendo este seu primeiro filme após O Discurso do Rei, que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator), Tom Hardy e John Hurt.

3) O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights), dirigido por Andrea Arnold

Já foram feitas mais de três adaptações do clássico literário de Emily Brontë para os telões, mas esta não é a versão mais convencional de todas. A diretora Andrea Arnold, bem reconhecida em Cannes, fez um novo O Morro dos Ventos Uivantes com a maioria do elenco composta por atores estreantes (exceto pela atriz Kaya Scodelario, intérprete de Catherine Earnshaw, que já tinha alcançado sucesso na TV com a série britânica Skins – Juventude à Flor da Pele) e, pelo visto, convenceu os críticos de Veneza. Outros pontos diferentes neste filme são as várias cenas em que não há diálogos e a força da história se concentra somente nas imagens, e o uso de atores negros (Solomon Glave e James Howson) para interpretar o personagem Heathcliff. Para quem não está familiarizado com o livro, O Morro dos Ventos Uivantes conta a história de um garoto pobre (Heathcliff) que é adotado pela família rica Earnshaw e passa a ter um relacionamento com a filha caçula, Catherine.

Cena de "Tudo pelo Poder" (Foto: Divulgação).

4) A Dangerous Method, dirigido por David Cronenberg

Este provavelmente é o candidato mais forte ao prêmio Leão de Ouro, se nivelando ao prestígio que somente Carnage obteve. Cronenberg nos mostra o relacionamento entre os pais da psicanálise, Sigmund Freud (Viggo Mortensen) e Carl Jung (Michael Fassbender), e como uma das pacientes de Jung, Sabina Spielrein (Keira Knightley), e seu relacionamento com ele refletiu nos estudos sobre a personalidade humana. A intenção do diretor era mostrar um lado que a história oficial ainda não conhecia, o lado de Sabina e sua grande influência nas pesquisas de Freud e Jung, que fora revelado através de cartas mandadas para os dois estudiosos. Além de ter sido ovacionado após sua exibição, a atuação de Keira Knightley é o grande destaque da película.

5) Carnage, dirigido por Roman Polanski

Considerado o grande favorito ao título de Melhor Filme em Veneza, Polanski acertou com a comédia Carnage, que mostra o encontro de dois casais que decidem ter uma conversa amigável após os filhos deles protagonizarem uma briga. O resultado, claro, é uma grande troca de insultos entre os quatro envolvidos, que fez os jornalistas gargalharem na primeira exibição do filme. Aqui o destaque vai para Kate Winslet, Christoph Waltz, Jodie Foster e John C. Reilly interpretando os casais e criando uma atmosfera divertida para o filme, que foi baseado na peça “Deus da Carnificina”. Vale lembrar que, se o filme ganhar, Polanski não poderá receber o prêmio pessoalmente, pois corre o risco de ser extraditado para os EUA a fim de cumprir pena sob a acusação de pedofilia feita em 1977.

6) Shame, dirigido por Steve McQueen

Aprovado pela crítica, Shame se destaca não só pela sua premissa, mas principalmente por Michael Fassbender e sua atuação considerada a mais notável de todo o evento. O artista Steve McQueen decidiu se dedicar ao cinema e o resultado é um filme sobre um sedutor executivo chamado Brandon (Fassbender) que é viciado em sexo e vê sua vida começar a perder o controle quando sua irmã Sissy (Carey Mulligan) faz uma visita a ele. Brandon se vê em pânico com a necessidade de atenção da moça e falta de tempo para se dedicar à sua compulsão e passa a buscar modos de satisfazer seu desejo por sexo nas ruas.

Para ver a lista completa dos participantes, clique aqui.

Anúncios

Publicado em 8 de setembro de 2011, em Cinema e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 7 Comentários.

  1. Galera, iremos fazer um especial de cinema sobre o 11 de setembro pra “celebrar” a data.

  2. Muito bom o texto.
    Deveríamos ter mais festivais como esse aqui no Brasil. Infelizmente o de Gramado ainda é muito “pequeno” em relação aos outros.
    O Brasil está cada vez mais investindo nas suas produções para o cinema, o que me faz acreditar que daqui a alguns anos vamos poder ser tão conhecidos como Cannes e Veneza.

    • Realmente, tomara que Gramado se torne tão grande quanto estres outros festivais, o Brasil tem muitos filmes bons e que, infelizmente, são pouco divulgados. Quem sabe eles tenham uma chance maior de brilhar daqui para frente. Obrigada, Viny!

  3. Muito legal o post! Parabéns!

    Semana que vem postaremos sobre o filme Além da Estrada, confiram!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: