Vai cair a educação de Pinochet

Postado por : Pedro Jorge Ferrari

Estudantes protestam nas ruas de Santiago ( Foto: Fábio Nassif)

O movimento estudantil chileno segue com a sua onda de protestos e luta pela democratização da educação após o Governo ter aceitado apenas duas das quatro condições impostas pelos estudantes para que se inicie um diálogo entre as partes.

A Confech (Confederação dos estudantes do Chile) exige que seja assegurada a transparência no diálogo (transmissão pela TV), as instituições que visam o lucro não recebam recursos públicos do governo, os projetos de leis em matéria educacional enviados ao Parlamento sejam suspensos e o calendário acadêmico, que fixa 10 de outubro como início do segundo semestre, seja adiado.

Diante de tais propostas, o ministro da Educação do Chile, Felipe Bulnes, respondeu que o Executivo está disposto a aceitar os dois primeiros pontos, porém rejeitou o adiamento do calendário e a paralisação dos projetos de leis. Fez também um apelo para que os estudantes e professores ”voltem ao trabalho já a partir de amanhã, pois é fundamental normalizar as atividades acadêmicas o mais rápido possível”. Tais atitudes provocaram uma nova série de protestos e a convocação de uma greve nacional.

O movimento estudantil acontece desde meados de maio, tendo como principais objetivos o fim da municipalização das escolas, um ensino público gratuito e de qualidade e o ”fim do lucro”. Até o momento, 40 universidades e 400 colégios estão ocupados por todo o país e 33 estudantes estão fazendo greve de fome devido à intransigência do governo. Em 2006, na gestão da presidenta Michelle Bachelet, secundaristas se organizaram com os mesmos objetivos e tal movimento, de proporções menores que o atual, ficou conhecido como a ”Revolta dos Pinguins”.

Após 400 mil pessoas, entre estudantes, professores e cidadãos comuns, se mobilizarem e irem as ruas protestar, o presidente Sebástian Piñera parou de ignorar o movimento e começou a fazer propostas para que se desse o fim das manifestações, como o aumento do número de bolsas de estudo para os mais pobres de 40% para 60% e a diminuição da taxa de juros de empréstimos do Estado, de 5,3% para 2%, além de uma rígida fiscalização quanto à lei de ”fim do lucro”, contudo essas foram prontamente rejeitadas, pois os estudantes defendem que ” a educação não é mercadoria e sim um direito natural”.

O Chile possui uma constituição vigente desde 1980, quando o regime militar ainda dava as caras. O neoliberalismo implantado no país pelos ”Chicago boys”, jovens economistas formados pela Universidade de Chicago que formularam o regime econômico da ditadura chilena, trouxe uma desigualdade social muito grande para os cidadãos.

O atual sistema educacional, por exemplo, é prejudicial ao ponto de os estudantes precisarem de 15 anos de trabalho, depois de formados, para pagar suas mensalidades, financiadas inicialmente pelo Governo. Num contexto em que apenas 4,4% do PIB são destinados para o setor de educação e que 75% dos custos para os estudos são das famílias, as grandes mídias chilenas e estrangeiras, assim como o governo, procuram minimizar a situação que se encontra o país, muitas vezes ignorando, desprezando e não publicando os fatos sobre as mobilizações.

O país passava a impressão que era um espaço democrático, neoliberal e rico, porém não é isso que vem sendo mostrado pelos manifestantes. O Chile está entre um dos 15 países com mais desigualdade social no mundo. O que se vê é na verdade a herança ditatorial deixada por Augusto Pinochet.

Anúncios

Publicado em 21 de setembro de 2011, em Internacional e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: