Dignidade versus profissionalismo

Mario Fernandes, jogador do Grêmio, recusa participar do "Superclássico das Américas" (Foto: gremio1903.wordpress.com)

Postado por: Rafael Magalnik

Meus queridos amigos, venho a este blog para demonstrar minha profunda compreensão a um fato que vem tendo grande repercussão na área esportiva. Tenho consciência de que sou um dos poucos que pensam dessa forma, mas creio que vocês vão entender a minha angústia.

Nesta semana, um episódio está tomando conta do jornalismo esportivo. O jogador do Grêmio, Mario Fernandes, recusou a fazer parte dos jogadores convocados para o amistoso contra a Argentina, válido pelo “Superclássico das Américas”, aliás, competição de pequeno valor, que até então, não tinha grande reconhecimento nacional.

Portanto, não custa fazer um rápido resumo para esclarecer o motivo dessas partidas envolvendo Brasil e Argentina.

O Superclássico das Américas ou Copa Dr. Nicolas Leoz, antiga Copa Roca, é uma competição de futebol que teve início em 1913 e foi instituída pelo presidente argentino Julio Argentino Roca. Interrompida desde 1976, a competição volta a ser disputada em 2011, após acordo entre a CBF e a AFA (Associação de Futebol Argentino). Apenas jogadores que atuam nos campeonatos nacionais podem participar, devido ao fato dos jogos não ocorrerem em data FIFA.

Pois bem, vamos ao que nos interessa. Em primeiro lugar, respeito a opinião de quem pensa que o jogador deveria fazer parte dos convocados para o amistoso, porém tenho uma ideia que vai além da prática esportiva, que ultrapassa o fator profissional, que é a questão individual, própria das condições pessoais, emocionais, aquelas que mexem com a psique do atleta.

A meu ver a questão pessoal está acima da questão profissional. Vamos trabalhar com a seguinte hipótese: alguém está com 39 graus de febre, sem condições de trabalhar, e o diretor da empresa na qual trabalha precisa de seu apoio, senão esta será demitida. O que a pessoa deve fazer? Ir ao trabalho, indisposta, e correr o risco de passar mal? Ou rejeitar a obrigação e seguir a vida, mesmo sendo despedida?

A segunda opção é, na minha visão, a mais correta. Exatamente esta situação pode ser transferida para o contexto do jogador do Grêmio. Se a pessoa Mario Fernandes não tem condições de exercer seu dever, porque o jogador Mario Fernandes tem que se submeter a uma ordem vinda da CBF, repito, da CBF? Ele tem todo o direito de recusar a convocação. Agora, claro, as conseqüências podem ser as piores possíveis e ele deve ter consciência disso.

Portanto, vamos acalmar os ânimos, refletir melhor sobre o fato, porque o que estou vendo, ouvindo e lendo sobre esse assunto está me deixando perplexo, horrorizado com certos ex-jogadores de futebol que dão outra importância ao futebol, muito maior que a de Mario Fernandes, e por isso não permitem que ele siga sua vida, normalmente, como se o futebol fosse a coisa mais importante do mundo.

Sou apaixonado por futebol, mas quando ouço certas coisas, penso se vale mesmo a pena seguir esse futuro. Ainda não acabaram com o meu sonho de seguir a carreira de jornalista esportivo, mas do jeito que Ricardo Teixeira e companhia tratam o futebol, como se fossem donos dele, se continuar dessa forma, posso até rever o meu futuro.

Muitos dizem que o futebol é a coisa mais importante das menos importantes. Aqui, agora, monto outra frase: o futebol é a coisa menos importante das menos importantes.

Até a próxima!

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Publicado em 5 de outubro de 2011, em Esportes e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Raphael, o que estão dizendo nos bastidores é que ele não se apresentou porque perdeu a hora depois de ter ido comemorar a convocação numa balada no dia anterior. O Mário Fernandes teria tomado todas, ficando assim sem condições de se apresentar. Não sei se essa versão já foi desmentida, mas achei ela bem plausível.

  2. Então, Pedro, o argumento usado pelos ex-jogadores Neto e Denílson, dos quais eu estou me referindo, é que ele mostrou falta de profissionalismo por simplesmente recusar o convite de jogar o amistoso. Isso é, na minha visão, o cúmulo da falta de compreensão. Se outras fontes de informação deram a notícia de que o jogador foi para a balada, aí concordo que ele está errado. Mas julgá-lo por negar o convite é, no mínimo, falta de ética. Quando o Muricy Ramalho recusou o convite para dirigir a seleção, todos foram a favor dele. Nesse caso, por ser um jogador jovem, estão esculachando em cima dele, como se fosse obrigado a aceitar.

  3. Concordo que a crítica ao fato dele simplesmente ter recusado a seleção é ridícula. Só estou esclarecendo que, provavelmente, não houve nenhuma razão justa para que ele o fizesse.

    • Pelo o que a imprensa divulgou, houve razões suficientes para ele recusar. Se ele não estava se sentindo bem, teve problemas pessoais, que são as razões declaradas pela direção do Grêmio e pelo seu empresário, isso já é suficiente para ele recusar o convite para participar de um jogo, como reserva e sequer entrar em campo. A dignidade está acima de interesses de “terceiros”, como os de “Ricardo Teixeira e companhia”. Além do mais, o momento que ele vivia no Grêmio era ótimo, ele apenas quis seguir o seu serviço em prol do clube.

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