Fernando Morais: o jornalista por trás dos best-sellers

O autor de títulos como "Olga" e "A Ilha" em entrevista aos alunos da PUC-SP

Postado por: Bruno Laforé

O jornalista e escritor, Fernando Morais, esteve na PUC-SP quarta-feira passada (05/10). Durante a visita, concedeu uma entrevista coletiva aos alunos do curso de Jornalismo e, em seguida, deu uma palestra sobre seu novo livro, “Os Últimos Soldados da Guerra Fria”. O encontro com esse autor, cujos livros nunca estiveram fora da lista dos mais vendidos, rendeu vários assuntos envolvendo sua carreira.

Fernando Morais contou que iniciou sua carreira de jornalista no Jornal da Tarde, onde escreveu sobre assuntos variados do cotidiano de um jornal, “as duas únicas coisas que eu não fiz no Jornal da Tarde foram futebol, que eu não entendo absolutamente nada, e economia, porque eu não gosto”, diz. Certo dia, ele foi escalado para fazer uma matéria no local onde ainda seria construída a Transamazônica, seu trabalho rendeu uma série de reportagens e, posteriormente, um livro. Foi nessa época que Fernando Morais se iniciou no jornalismo literário.

Seu segundo livro teve o tema escolhido pelo próprio autor, o best-seller “A Ilha” retrata a Cuba da década de 70. O autor afirmou ter voltado a Cuba muitas vezes no período entre o lançamento de “A Ilha” e do seu último livro e confessou ter encontrado mais dificuldade na apuração dos fatos a serem publicados em sua obra mais recente: “Do ponto de vista do trabalho jornalístico, esse último livro deu muito mais trabalho, porque eu estava mexendo com aquilo que se chama de informação sensível. Havia muitas restrições, por não poder colocar em risco a vida de ninguém, entre outras coisas.”

As biografias escritas por Fernando Morais são muito famosas e polêmicas. Em “Chatô”, ele retrata um delírio tido por Assis Chateaubriand enquanto estava em coma, como o autor conseguiu entrar na cabeça do biografado? Ele explica: “O Chatô estava em coma e levou muito tempo pra se recuperar, ficou tetraplégico. Da cabeça pra baixo, ele não mexia nada, então inventaram para ele uma máquina com uma telinha de televisão e uma roldana em cima, em que ele punha um dedo que mexia um pouco e a roldana empurrava o dedo para que ele apertasse uma tecla da máquina de escrever. Ele escreveu um artigo contando a cena em que ele estava em coma e ouvia as pessoas falando.”

A simpatia ou antipatia pelo personagem a ser retratado não interferem nos textos de Fernando Morais. Segundo ele, há o mesmo tratamento a todos que serão retratados. O autor disse estar trabalhando há nove anos numa biografia do Antonio Carlos Magalhães e afirmou ter concordado em escrever sobre o político desde que esse lesse o resultado final somente após publicado, ACM, ainda vivo, concordou. Com Paulo Coelho foi a mesma coisa, diz Fernando Morais, “na hora que o liguei para acertamos, eu disse para ele que não poderia ler os originais, ele disse: não estou nem aí. Mas, na verdade, não foi assim. Na hora em que recebeu o livro, ele não gostou, ficou meio bravo, ficou sem falar comigo por um tempo. (…) Disse que ficou muito assustado com o livro, porque tinha coisas ali que ele não sabia que havia sido tão mau.”

Fernando Morais não para, o jornalista ainda pretende lançar um livro sobre o Lula. Segundo ele, a ideia ainda está um pouco prematura, o escritor e o ex-presidente já se reuniram algumas vezes e parece que, em breve, poderemos ler, ao invés de uma biografia, um retrato dos bastidores do governo Lula. Aguardem!

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Publicado em 14 de outubro de 2011, em Cultura e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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