Dança das cadeiras na Rússia

Postado por: Pedro Jorge Ferrari

Ao declarar o primeiro-ministro Vladimir Putin como candidato à presidência nas próximas eleições, o presidente russo Dmitry Medvedev, mostrou a população quem realmente esteve no poder durante seu governo. Há muito tempo se diz na Rússia que o verdadeiro presidente, agindo por ”trás dos panos”, é Putin. Ambos membros do mesmo partido político, ” Rússia Unida”, se diziam totalmente opostos em ideais e modos de governar. Na época em que se promoveu ao poder, Medvedev defendia um país democrático, dando valor a liberdade de expressão.

Ele procurou, durante sua campanha, ser contrário aos ideais de Putin, um homem autoritário, conservador e que durante sua estadia no Kremlin buscou acabar com os conceitos de liberdade e igualdade. Entretanto, em declarações recentes, o presidente disse que a troca de cadeiras com o primeiro-ministro é devido ao fato de ambos terem convicções e planos semelhantes para o futuro da Rússia.

Eleito em 2000 com 60 milhões de votos, e reeleito quatro anos depois, Putin teve como características em seus mandatos o cerceamento da liberdade de imprensa, sendo acusado da morte de dois jornalistas que faziam oposição ao seu governo, e a grande repressão aos rebeldes da Chechênia. Contudo, seu plano de reestruturação do país, ligado a matéria prima primitiva, enriquecimento nuclear e fortalecimento armamentista, ergueu a economia russa da lástima em que se encontrava quando Boris Yeltsin renunciou, o que tornou, o atual primeiro-ministro, popular e com alto índice de aprovação pelo povo.

O governo de Medvedev por sua vez, foi marcado pela falta de atividade. Um dos poucos momentos em que o presidente tentou deixar sua marca foi quando ele fez duras críticas a ”economia de matéria primitiva” da Rússia e a ”corrupção crônica”, oferecendo uma visão real da situação do país. Contudo essas ideias não saíram do papel. Também vale ressaltar a demissão do prefeito de Moscou e o posicionamento pró-ocidente do Kremlin quanto as ações da Otan na Líbia, as quais Putin classificava como ”cruzadas”.

A situação em que o país se encontra é precária, a crise econômica agravou o desemprego e a miséria na Rússia, por muitos considerado um país de mendigos. Esses fatos trouxeram uma imagem de fraqueza para o atual presidente, consequentemente ocorrendo uma queda na sua popularidade. Esse é tido como o principal motivo da ”dança de cadeiras” no governo. Putin é visto como um homem forte e decidido e justamente por ser mais popular é que, segundo Medvedev, ele tem mais chances de ganhar, portanto não teria sentido para o presidente tentar uma reeleição.

A oposição classificou essa manobra de troca de cargos como uma manipulação e manutenção do poder por parte de Putin e cia. Acusam o primeiro-ministro de colocar Medvedev no comando do país para ser apenas um mero bode expiatório que obedece a qualquer ordem que lhe é dada e que estava combinado que seria realizada essa mudança de cargos.

Em março de 2012 ocorrerão as novas eleições e o primeiro-ministro concorrerá pelo seu terceiro mandato, com a vitória praticamente garantida. A fragilidade de Medvedev, a situação econômica e social russa, assim como seus feitos do passado serão suas maiores armas para se reeleger. Sua popularidade está em queda e mesmo assim, mais de 60% da população aprova sua volta ao poder, mesmo que isso signifique deixar de lado os valores democráticos.


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Publicado em 15 de outubro de 2011, em Internacional e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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