A morte de Kadafi não é uma boa notícia

Postado por Paulo Motoryn

Comemorada pelo povo líbio, a morte do ditador Muammar Kadafi selou o fim de uma das mais pesadas ditaduras do mundo moderno, marcada por violência e repressão. Contudo, a execução sumária de Kadafi jogou pelo ralo qualquer possibilidade da Líbia iniciar com Justiça a reescrita de seu processo histórico.

A captura, prisão e julgamento de Kadafi seriam uma vitória para a Líbia. A página em branco que está diante do povo líbio, começou a ser escrita sem transparência ou verdade. O primeiro passo de um país que agora é dono do próprio destino foi equivocado.

Caberia aos líbios determinarem o futuro do país, depois de conseguirem se livrar de uma das mais ferozes ditaduras da história moderna. O CNT (Conselho Nacional de Transição), formado pelos insurgentes líbios, tinha capacidade de organizar uma transição democrática no país, com a era Kadafi definitivamente encerrada.

É extremamente normal e esperado que as democracias se consolidem após períodos de desordem e discordâncias e que mesmo regimes consolidados tenham sempre ajustes a se realizar. A morte de Kadafi é um erro não fatal. O início ruim do que é possível chamar de “nova história da Líbia” é reversível e passa pelo início de um processo de democratização com transparência e eficiência.

Relembre a Revolução na Líbia

Empolgados pelas manifestações e protestos que derrubaram presidentes da Tunísia e do Egito, o povo líbio começou a ir às ruas das principais cidades do país em fevereiro, protestando contra o coronel Muammar Kadafi, no cargo mais alto do país desde a revolução de 1969. Logo, os protestos evoluíram para uma guerra civil sem volta.

A importância e a violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional,  pela OTAN, em nome de uma suposta proteção aos civis. No dia 20 de agosto, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque.

Dois meses depois, os rebeldes invadiram Beni Walid, um dos últimos bastiões de Kadafi. Em 20 de outubro, os rebeldes retomaram o controle de Sirte, cidade natal do coronel e foco derradeiro do antigo regime. Os apoiadores do CNT comemoravam a tomada da cidade quando os rebeldes anunciaram que, no confronto, Kadafi havia sido morto. Estima-se que mais de 20 mil pessoas tenham morrido desde o início da insurreição.

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Publicado em 26 de outubro de 2011, em Internacional e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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