Denúncia de Roque Barbiere atinge governo paulista

Declaração de deputado do PTB (foto) vem mexendo com a Assembleia Legislativa de São Paulo (Foto: Blog Contexto Livre)

Postado por: Pedro Hallack

Pelo que parece, os escândalos políticos não são uma exclusividade de Brasília. A bola da vez dos jornais e noticiários é a Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo). Segundo Roque Barbiere, deputado estadual pelo Partido Trabalhista Brasileiro, até 30% dos parlamentares da casa vendem as suas emendas obtidas através do Governo do Estado para prefeituras e entidades privadas, em troca de propina. Um mês já se passou desde que Barbiere fez a denúncia. Até agora, o que se viu foram muitas histórias e poucas ações concretas do governo acerca do fato que ainda pode causar grandes embaraços ao governo Alckmin.

As emendas parlamentares são adições feitas ao orçamento elaborado pelo Executivo, através das quais os deputados podem conseguir verbas do governo para os seus respectivos redutos eleitorais. Cada membro do Legislativo paulista tem direito a até dois milhões de reais em emendas. Um dos grandes problemas desse processo se dá pelo fato dele ser extremamente politizado. Como é o próprio governo que decide quais emendas serão adicionadas ao orçamento, a maioria delas se destinam aos deputados da base governista, em detrimento dos oposicionistas. Tal processo se dá tanto em âmbito federal quanto estadual. Como o Estado de São Paulo é governado pelo PSDB, são os tucanos os mais agraciados com as chamadas emendas parlamentares.

O Governo do Estado tem defendido publicamente que Barbiere dê os nomes dos deputados envolvidos no suposto esquema e diz que tornará o processo de obtenção das emendas mais transparente. Apesar de o governador Geraldo Alckmin estar com o discurso bem ensaiado, a sua base de apoio na Assembleia tem atuado para abafar as investigações internas, seja tentando impedir a instalação de uma CPI, ou limitando a ação do Conselho de Ética da casa. O medo é de que alguns secretários da atual administração sejam atingidos por eventuais denúncias, o que já ocorreu com Bruno Covas (PSDB), da pasta do Meio-Ambiente.

O jovem deputado (31 anos) disse, em entrevista no começo desse ano, que já recebeu oferta de propina por parte de um prefeito em troca de uma emenda. Ao ser questionado sobre o ocorrido, o neto do ex-governador Mário Covas afirmou estar falando sobre uma situação hipotética, explicação essa que acabou não convencendo muita gente. Além disso, o secretário teria conseguido R$ 8,2 milhões em emendas (muito acima do teto, de 2 milhões por parlamentar) no ano passado, quando se reelegeu deputado estadual. O episódio pode atrapalhar os planos de Alckmin, que pretendia apoiar Bruno Covas na eleição para a prefeitura de São Paulo no ano que vem.

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Publicado em 27 de outubro de 2011, em Política, Sem categoria e marcado como , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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